Fui e ainda sou um grande frequentador da noite.
Conheçi profundamente a noite de Lisboa, nos idos de 80 e 90.
Assisti ao nascimento da 24 de Julho e sei o que era o Bairro Alto e o Cais do Sodré, entre outros cantos, antes das discotecas, bares e clubes da 24 de Julho.
Recordo-me de ver a noite crescer e passar a haver oferta muito variada até de manhã. Havia locais para todas as idades e gostos musicais.
E na Madeira? A noite da Madeira sempre foi pequena, como a Ilha. A oferta foi sempre bastante limitada, comparável com a procura.
Não vou falar dos hotéis, mas recordo, para quem gosta de coisas mais tradicionais, as noites do
Savoy e o
Prince Albert Pub, quando abriu em 1970 (belo local, hoje degradado e mal aproveitado).
Depois, bem depois, veio o
Sting, a pequena bôite do Hotel Orquídea ou Estrelícia (são todos tão parecidos e desprovidos de imaginação, os nomes destes hotéis) e o
Farol, a discoteca do Sheraton, onde muita gente deu o primeiro passo de dança e o primeiro beijo, com muitas músicas que marcaram a nossa geração (40's). Quem não se lembra da abertura da pista com o Light Show? Durante algum tempo, houve ainda uma pequena discoteca na Marina do Funchal, o
Optimus, mas que não durou muito tempo (e era foleira como tudo).
Durante os anos 80 e 90, tínhamos ainda as hegemónicas
Vespas, na garagem do Ribeiro Seco, com aquele porteiro que todos aprendemos a odiar (bem, quase todos, pois os amigos do dono não tinham problemas em entrar). Já não me lembra o nome dele, apenas aquela grande careca e um pequeno cérebro lá dentro.
Durante os anos em que as Vespas estiveram sem instalações (os anos que mediaram entre o Ribeiro Seco e os Armazéns da Sá Carneiro) prosperou outro local: o já existente Pub On The Rocks tornou-se na Discoteca
Rocks. O negócio durou enquanto as Vespas não voltaram ao activo. Durante esse período, o Rocks foi muito concorrido.
Sem querer ser exaustivo, recordo ainda locais como o
Louva-a-Deus, que também se chamou
Art Rock, no local onde funcionou o Sting e que recebeu algumas gerações de pessoal novo, uns mais bem comportados que outros... Ou o
Poison, onde se passava muito boa música, mas acabou por ceder aos excessos de alguns. Ou ainda o
Kiss Me, o
Alfa Clube e o
Clube A (estes dois mais recentes, mas que cederam a queixas de residentes).
Uma palavra para o belíssimo espaço do Casino, o
Baccarat, que depois se converteu no foleiríssimo
Copacabana. Coisas de hoteleiro...
Actualmente, temos locais como o
Bar do Museu, o
Café do Teatro, o
Chega de Saudade (onde finalmente se pode ouvir música, às vezes), o trio
Marginal-Vespas-Jam, o
CCC; algumas vilas vão também vendo nascer bares e discotecas.
O problema, que não é de agora, é o de sempre: a oferta musical é muito pobre. Onde antes se ouvia o pop e rock mais popular, mais comercial e mesmo mais pimba (de que o Jam é repositório), hoje ouvem-se apenas as criações de DJ's, nem sempre bons... Creiam-me quando digo que tais tipos de música e ambientes devem existir, mas é pena que não exista diversidade. Talvez porque a maioria dos que procuram a noite na Madeira não estejam propriamente interessados em música, acabando por procurar locais apenas porque estão na moda (seja lá isso o que for), não sendo minimamente exigentes naquilo que querem ouvir, antes comendo aquilo que lhes dão.
Siga o baile.